Cenário de tarifas dos EUA para pescados é incerto para 2027, diz Abipesca
Com 70% da produção, tilápia lidera segmento nacional de peixes cultivados
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Na Seafood Show, que ocorre até esta quinta-feira (22), na capital paulista, o CEO da Abipesca, Jairo Gund, discorreu sobre o impacto para o setor nacional de pescados com o tarifaço dos EUA. “Inicialmente fomos beneficiados com a exportação de camarão, mas a situação se reverteu. Conseguimos abrir espaço para apresentar o contraponto, pois o peixe é 1% do importado do Brasil pelos EUA. Nossa argumentação valeu a exclusão da tarifa”, assinalou o dirigente, alertando, porém, para a impossibilidade de definir um cenário para 2027.Com base em uma análise histórica da evolução das relações comerciais globais, que passaram a se caracterizar pela polarização em EUA e China, com decisão unilateral dos EUA que em outras épocas seria punido, o assessor internacional do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Eduardo Sfoglia, lembrou da escalada de barreiras tarifárias - agora também com aspectos discriminatórios diversos. "O caminho adotado pelo governo brasileiro caracterizou-se pela negociação", disse.Já o diretor presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros, recordou que o país iniciou o processo de profissionalização da piscicultura há 15 anos, o que ajudou no crescimento anual de 10% nos dois últimos anos. A exportação, entretanto, ainda é pequena por conta do aumento do consumo no mercado interno.“A piscicultura também é o setor mais regulamentado do país o que gera dificuldades. Mas, os ajustes estão sendo feitos, afinal somos um setor jovem e é preciso ir acertando essas questões”, encerrou, comemorando o fato de a piscicultura brasileira ter alcançado um marco histórico em 2025, ao superar 1 milhão de toneladas de peixes cultivados. Desse total, 707.495 toneladas corresponderam à tilápia, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional.