Cepea vê cenário externo mais desafiador para carne bovina brasileira
Centro destaca pressão da China e da União Europeia, enquanto exportações de carne suína seguem em ritmo recorde
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O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avaliou, em levantamento divulgado nesta quinta-feira (14), que o ambiente externo para a carne bovina brasileira tende a ficar mais desafiador nos próximos meses, diante de entraves comerciais envolvendo a China e a UniãoEuropeia.Segundo o centro de pesquisas, as preocupações incluem tanto as discussõesenvolvendo cotas chinesas quanto a decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países considerados adequados às novas regrasdo bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos em produtos de origem animal.O Cepea ressalta, no entanto, que os embarques brasileiros de carne bovina para a Europa representam cerca de 4% do total exportado pelo país, em média. Apesar desse cenário, o centro destaca que a oferta global de carne bovina segue reduzida, fator que continua dando sustentação ao mercado internacional da proteína.Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, desde março de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina in natura vêm operando em ritmo forte, com volumes mensais acima de 200 mil toneladas.Nos quatro primeiros meses de 2026,o Brasil embarcou 953,606 mil toneladas da proteína, crescimento de 15,2% frente ao mesmo período de 2025 e quase 30% acima do observado no primeiro quadrimestre de 2024. Somente em abril, os embarques somaram 251,944 mil toneladas, maior volume já registrado para o mês em toda a série histórica da Secex.A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com importações de 135,472 mil toneladas apenas em abril, alta de 32,8% frente a março.No acumulado do quadrimestre, as compras chinesas totalizaram 460,888 mil toneladas, avanço de 19,3% na comparação anual.Paralelamente, o Cepea destacou o bom momento vivido pelo setor de carne suínano mercado externo.Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 138,3 mil toneladas de carne suína em abril, maior volume da história para o mês na série iniciada em 1997. O desempenho representa crescimento de 8,2% frente a abril de 2025 e marca o quinto mês consecutivo de recorde para o período.No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações de carne suína atingiram 526,4 mil toneladas, aumento de 14,4% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.O Cepea afirma que o forte ritmo das exportações reflete a estratégia do setor de direcionar maior volume ao mercado internacional diante do consumo doméstico enfraquecido, numa tentativa de reduzir a oferta interna e sustentar os preços.Mesmo assim, o centro destaca que as exportações representaram cerca de 26% da produção nacional em abril, enquanto os preços domésticos da carne suína continuaram em queda.