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DATAGRO projeta queda no abate e no consumo doméstico de carne bovina em 2027

Retenção de fêmeas deve refletir nos estoques de gado do Brasil, os quais tendem a se recuperar no próximo ano

12:49

Foto: divulgação DATAGRO
Foto: divulgação DATAGRO
O mercado brasileiro de carne bovina deve entrar em 2027 com redução nos abates e na produção formal, acompanhada por uma retração ainda mais acentuada do consumo doméstico. Ao mesmo tempo, as exportações devem avançar, segundo projeções apresentadas pela DATAGRO durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, realizado nesta quarta-feira (16), em São Paulo.

Os números foram apresentados por João Otávio de Assis Figueiredo, líder da Área de Pecuária da DATAGRO, e Guilherme Jank, analista sênior da casa. Para 2027, a consultoria estima o abate total de bovinos em 41,2 milhões de cabeças, incluindo animais inspecionados e não inspecionados. O volume representa uma queda de 7,9% em relação às 44,7 milhões de cabeças projetadas para 2026.

A redução também aparece quando considerados apenas os abates inspecionados. A DATAGRO projeta 37,1 milhões de cabeças em 2027, ante 40,7 milhões em 2026, retração de 8,8%.

A menor quantidade de animais abatidos ocorre em um cenário de mudança na composição dos abates, com pecuaristas já começando a reter fêmeas visando uma reconstrução do rebanho.

A participação das fêmeas nos abates inspecionados deve passar de 45,1% em 2026 para 41,9% em 2027, queda de 3,2 pontos porcentuais. Essa retenção, projeta a DATAGRO, refletirá nos estoques de gado do Brasil, os quais devem sair de 173,4 milhões de cabeças ao final de 2026 – o menor nível desde 2020 – para 176,2 milhões de cabeças ao término de 2027.

Outro fator considerado pela consultoria é o peso médio de carcaça, que deve aumentar. A estimativa para 2027 é de 272,3 kg por animal, contra 263,9 kg em 2026. O avanço de aproximadamente 3,2% deve ajudar, em algum nível, a limitar o impacto da redução do número de animais sobre a oferta de carne.

Ainda assim, a produção formal da proteína bovina deve recuar. A DATAGRO estima 10,108 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) em 2027, ante 10,744 milhões de TEC projetadas para 2026. A queda é de 5,9%.

O consumo doméstico de carne bovina deve passar de 6,603 milhões de TEC em 2026 para 5,905 milhões de TEC em 2027, redução de 10,6%. Com isso, o mercado brasileiro absorveria uma parcela menor da produção formal no próximo ano.

As exportações seguem na direção oposta. A DATAGRO projeta 4,248 milhões de TEC embarcadas em 2027, ante 4,176 milhões de TEC estimadas para 2026. O crescimento previsto é de 1,7%.

Com a combinação de menor produção e avanço das exportações, a participação da produção destinada ao mercado externo tende a aumentar. Segundo os analistas, a amostra da produção exportada deve passar de 38,6% em 2026 para 41,6% em 2027, alta de 3 pontos porcentuais.

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