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Fórum Pecuária Brasil: nova cota temporária dos EUA e consumo doméstico atenuam reveses relacionados a UE e China para carne bovina

Executivos de grandes frigoríficos citam cenário de incertezas em relação ao embargo da União Europeia e esgotamento da cota chinesa em 2026 e continuidade ou não para o próximo ano

15:17

Fonte: DATAGRO
Fonte: DATAGRO
Executivos de empresas brasileiras produtoras e exportadoras de carne bovina demonstraram preocupação com o embargo da União Europeia e esgotamento da cota chinesa para o ano, mas ao mesmo tempo se disseram otimistas com o consumo no mercado doméstico, bem como com a cota temporária aberta pelos Estados Unidos, e que o Brasil poderá preencher parte dela. Este foi o principal recado apresentado por Guilherme Oranges, diretor da Barra Mansa Alimentos; Luciano Pascon, CEO do Frigol; e Paulo Emilio, CEO da Plena Alimentos; nesta quarta-feira (16), em painel na 6ª. edição do Fórum Pecuária Brasil, realizado pela DATAGRO, na capital paulista.

Argumentando desconformidade com seu protocolo interno do uso de antimicrobianos, a União Europeia suspendeu a importação de carnes de frango e bovina, ovos e mel do Brasil. O restabelecimento da corrente comercial para a carne de frango deve ocorrer em breve, segundo disse, na abertura do evento, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cléber Soares. Todavia, a reabertura do mercado da UE para carne bovina brasileira pode, caso não haja nenhuma nova negociação, demorar dois anos - a contar deste mês de setembro -, que é o tempo de um ciclo pecuário completo.

No caso da China, Pequim estabeleceu para o Brasil este ano uma cota com limite de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina sem cobrança de tarifa extra. O volume, de acordo com o Ministério do Comércio chinês, atingiu 90% da cota em 10 de agosto. Desde então, as remessas começaram a cair.

Por outro lado, com o objetivo de assegurar abastecimento interno e reduzir pressão inflacionária, o governo do presidente Trump abriu para o mercado norte-americano, por 90 dias, uma cota temporária de 300 mil toneladas com tarifas reduzidas, o que pode beneficiar as exportações brasileiras. Ademais, o mercado interno que, historicamente, responde por 80% do consumo da produção nacional, se mostra com boa demanda.

"Em relação ao embargo da UE é aguardar. Neste ponto, o setor privado tem pouco a fazer. São negociações diplomáticas entre países", disse Oranges. No que diz respeito à cota chinesa, assinalou Pascon, a expectativa é se ela permanecerá para 2027 e, em caso positivo, de qual volume será. "Caso o cenário se repita, uma lição que fica para o setor frigorífico é buscar organizar de modo mais diluído as remessas para a China", complementou.

Diante de um quadro exportador com desafios complexos, o mercado interno brasileiro até o momento se mostra com demanda resiliente. "E ao contrário do senso comum, os cortes bovinos mais nobres ficam no Brasil. O maior volume exportado é de dianteiros", acentuou Emilio.

 

 

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