Últimas notícias
Pecuária

GAFFFF: Brasil ganha protagonismo diante da nova dinâmica da pecuária global

Oferta restrita em grandes produtores, avanço tecnológico e abertura de mercados reforçam posição brasileira no comércio mundial de proteínas

08:46

GAFFFF: Brasil ganha protagonismo diante da nova dinâmica da pecuária global
O Brasil chega a um novo momento de protagonismo na pecuária mundial, uma vez que importantes países produtores enfrentam restrições na oferta de bovinos, enquanto a capacidade nacional segue avançando em produtividade, genética e acesso a mercados.

Esse cenário esteve no centro do painel “Pecuária Sustentável: Eficiência, Rastreabilidade e o Mercado de Proteínas”, realizado durante a edição de 2026 do Global Agribusiness Festival (GAFFFF). O debate reuniu Roberto Perosa, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), como moderador, com a presença de Eduardo Pedroso, diretor-executivo de Originação da Friboi/JBS; e João Otávio Figueiredo, líder da área de Pecuária da DATAGRO.

Os números apresentados no GAFFFF dimensionam o espaço ocupado pelo país. De acordo com projeções da DATAGRO apresentadas por João Otávio, o Brasil deve produzir 10,744 milhões de toneladas equivalente-carcaça de carne bovina em 2026, volume inferior apenas aos 11,320 milhões de toneladas projetados para os Estados Unidos.

Nas exportações, entretanto, a liderança brasileira é expressiva. A projeção apresentada aponta 4,176 milhões de toneladas equivalente-carcaça exportadas pelo Brasil em 2026, diante de 2,326 milhões da Austrália, segunda colocada.

 

Restrição de oferta aumenta importância do Brasil


A posição brasileira ganha ainda mais relevância diante da conjuntura apresentada durante o GAFFFF. Dados mostrados por Eduardo Pedroso indicam um rebanho bovino global nos menores níveis em cerca de 60 anos, ao mesmo tempo em que a população mundial alcança níveis recordes.

João Otávio mostrou outra face desse movimento. No hemisfério norte desenvolvido, a geração de carne bovina vem diminuindo sem uma redução equivalente do consumo. A produção do grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Canadá, segundo os dados apresentados, passou de 21,53 milhões de toneladas equivalente-carcaça em 2020 para uma projeção de 19,55 milhões em 2027.

“O Brasil tem um terreno muito grande em dados comparativos de produtividade”, afirmou João Otávio.

Para Eduardo Pedroso, a escala da pecuária brasileira oferece uma capacidade de resposta difícil de ser replicada por outros grandes produtores. “Se lançarmos um desafio global de incrementar 1 milhão de cabeças na produção, para o Brasil isso seria 8%; para a Argentina, seriam 31%”, comparou.

O executivo da Friboi destacou que essa capacidade deve ser vista também sob a perspectiva da integração nacional à cadeia do exterior. “O Brasil é um país que se aponta como grande produtor e parceiro comercial do mundo. Nós não competimos, somos colegas dos mercados globais".

 

Tecnologia amplia capacidade produtiva


A escala, porém, é apenas uma parte da vantagem brasileira discutida no evento. Para Pedroso, a pecuária nacional passa por uma transformação baseada principalmente em eficiência.

“O Brasil vive uma nova revolução tecnológica na pecuária brasileira. Sustentabilidade é olhar cada vez mais bezerros por matriz, menor mortalidade, maior ganho diário, maior idade, maior peso médio e tudo isso é convertido em produtividade”, afirmou o executivo

O avanço da genética foi apontado como um dos motores dessa transformação. Segundo Pedroso, somente a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) coloca aproximadamente 11 milhões de bezerros no campo brasileiro.

“O Brasil coloca no chão, só pela tecnologia de IATF, praticamente 11 milhões de bezerros. Equivale a um ano da produção do Uruguai só em tecnologia de IATF”, disse. Para ele, “o melhoramento genético é potencializador da captura de produtividade do campo”.

 

Abertura de mercados sustenta expansão brasileira


Além da capacidade de produzir, a inserção comercial foi outro ponto central do painel. Segundo João Otávio, o Brasil registrou um avanço significativo na abertura de mercados nos últimos quatro anos e já alcança 177 países com mercados abertos.

“O Brasil teve um salto de maneira impressionante nos últimos quatro anos. Muito disso pelo trabalho da ABIEC”, afirmou o líder de pecuária da DATAGRO.

Nesse processo, o atendimento às exigências dos compradores internacionais deverão ganhar ainda mais importância. “O Brasil tem endereçado todos os pontos necessários para expandir ainda mais o mercado, com rastreabilidade e outros fatores para superar as barreiras”, acrescentou João Otávio.

Roberto Perosa, da ABIEC, destacou que o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa representa uma oportunidade para novas aberturas, embora algumas barreiras ainda precisam ser superadas.

“O Brasil foi considerado livre de febre aftosa. Isso abriu muitos mercados, mas ainda há uma série de barreiras que precisam ser superadas, como na China, que considerou o país livre da doença, mas ainda não permite a importação de alguns derivados”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Eduardo Pedroso chamou atenção para a adoção, pela China, de uma salvaguarda com duração de três anos destinada à proteção da indústria local, fator que adiciona uma nova variável ao comércio internacional.

Para o executivo, o desafio agora é transformar a capacidade produtiva brasileira em integração ainda maior com os compradores internacionais.

“Para finalizar, a gente vai em uma esteira de maior demanda internacional, mas precisamos de uma maior integração com os mercados globais”, concluiu Pedroso.

Mais Notícias