Lula diz que Uruguai cedeu ao Brasil parte da sua cota de exportação de carne bovina à China
Informação ainda não foi confirmada pelo país asiático; Abiec aguarda posicionamento oficial, enquanto DATAGRO prega cautela
15:31
Fonte: Embrapa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu hoje (21), em sua redes sociais, que o Uruguai cedeu ao Brasil parte da sua cota de exportação de carne bovina para a China."Tive nesta segunda-feira (21) um encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em Nova York. Tratamos de temas da agenda bilateral, em especial infraestrutura e comércio agrícola. Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China", disse Lula.No final do ano passado, a China estabeleceu cotas anuais de exportação de carne bovina aos seus principais fornecedores. Os lotes que ingressarem no país asiático depois dessa cota ser batida serão sobretaxados em 55%.O Brasil ganhou uma cota de 1,106 milhão de toneladas, a qual já foi integralmente preenchida no primeiro semestre. Em julho, diante do preenchimento integral da cota, exportadores brasileiros praticamente cessaram os envios à China.No ano que vem, a cota brasileira será levemente revisada para cima, para 1,128 milhão de toneladas; em 2028, sobe para 1,151 milhão de toneladas.A cota do Uruguai é de 324 mil toneladas para 2026 e ainda não foi integralmente preenchida. Segundo dados da alfândega da China, entre janeiro e agosto, o país asiático desembarcou 143,7 mil toneladas de carne bovina do Uruguai, o equivalente a 44,4% da cota designada ao país sul-americano.Em entrevista ao Universo Agro, a DATAGRO Pecuária pregou cautela. "A intenção de dois países fornecedores da China cederem excedentes de cota um para o outro é uma coisa; agora, os chineses autorizarem isso é outra completamente diferente", afirma o analista da consultoria, Guilherme Jank."Alguns meses atrás já saíram algumas notícias de que os uruguaios estavam dispostos a ceder seu excedente da cota chinesa para o Brasil. O problema é que, sem autorização dos chineses – justamente quem determinou a cota de cada país –, isso não significa muita coisa", completa Jank.A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirmou que não tinha imediatamente uma informação sobre o assunto e que buscaria um posicionamento oficial do governo.