Agenda da industrialização abre novas oportunidades de negócios para produtores familiares e agroindústrias de menor porte
18:23
Fonte: Pexels
Já mais madura na Europa e Estados Unidos, a agenda de industrialização na cadeia produtiva dos ovos - ancorada na agregação de valor ao produto "in natura" - começa a ganhar tração no Brasil, com potencial para gerar novas oportunidades e negócios, inclusive para produtores e agroindústrias de menor porte. A tendência foi apresentada por especialistas no segmento, durante o seminário da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA), no último dia 4 de fevereiro, na Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.De fato, o setor de ovos vivencia forte expansão, indicam os mais recentes números da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A produção cresceu 7,9% em 2025 e a estimativa é de nova alta, no caso de 6,8%, para este ano. O consumo per capita aumentou 6,7% em 2025 e deve registrar avanço de 7% no fechamento deste ano. Já as exportações subiram 116,6% em 2025 e a projeção para este ano é de incremento de 12,5%."Para o setor produtivo o recado é que o crescimento do consumo, na verdade, reforça a necessidade de se investir em industrialização para ampliar o acesso a novos mercados, tanto em nível doméstico, mas em particular para as exportações", assinalou Jairo Arenázio, CEO da PlumaGen, especializada em tecnologias para sanidade na avicultura.Prateleira com novo valorArenázio registra que a adição de valor no segmento de ovos é vista, por exemplo, no processo de transformação da proteína "in natura" em alimento em pó, claras líquidas pasteurizadas, omeletes congeladas, snacks proteicos, produtos de suplementação, entre outras inovações. "É o ovo transformado em itens de conveniência, com praticidade, mas sem perda das características, das propriedades nutricionais originais."O executivo ressalta que estes novos formatos de consumo do ovo encontram interessante aceitação e receptividade no mercado fitness, de suplementação para crianças e/ou pessoas com algum déficit nutricional, e assim por diante. "Isso sem contar o segmento pet, que está prestes a explodir nisso também."Arenázio sublinha que a industrialização começa a redesenhar a cadeia produtiva do ovo, e descortina novas oportunidades para produtores e agroindústrias de menor porte. "O ovo processado permite a captura de margens superiores por meio da especialização. O produtor familiar pode passar a investir em nichos de alto valor, como orgânicos, de galinhas criadas soltas. O ovo em casca tende a virar item 'gourmet'. Já a pequena agroindústria pode enveredar para produção dirigida à indústria de panificação, 'fast food', a partir, por exemplo, do simples processo de pasteurização do ovo."O executivo lembra, ainda, que outro flanco que se abre é o do processamento da casca do ovo - que hoje é um problema ambiental - em adubo. "A casca triturada se transforma, então, em matéria-prima para fabricação de fertilizantes, num processo de economia circular."Também presente no seminário, o presidente do Sindirações e vice-presidente da Federação Internacional da Indústria de Alimentação Animal (IFIF), Roberto Betancourt, destacou que o cenário global é favorável à produção brasileira de proteína animal. Ele ressaltou a competitividade da ração nacional, a disponibilidade de matérias-primas e a credibilidade sanitária do País. “O Brasil reúne condições únicas para crescer, desde que o setor atue de forma integrada e avance em infraestrutura”, afirmou.Ademais, a diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves, reforçou a importância de manter a competitividade no mercado internacional, especialmente diante do avanço de outros grandes players. Para ela, o momento é positivo, mas exige coordenação entre os elos da cadeia. “A capacidade de organização do setor tem transformado desafios em oportunidades”, concluiu.