Acordo Mercosul-União Europeia cria mercado de quase US$ 22 trilhões, destaca Apex
Maior zona de livre comércio do mundo pode gerar aumento de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras
15:36
Após 26 anos de negociações, a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia marca um novo capítulo para o comércio internacional brasileiro. Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, o resultado reflete um esforço político e institucional consistente, com protagonismo do governo brasileiro.“O presidente Lula teve um papel essencial. A Apex também, junto com o Itamaraty. Nosso escritório em Bruxelas trabalhou continuamente para esse resultado”, afirmou. “A diplomacia brasileira muda de patamar”, acrescentou o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa, Aloysio Nunes, que calcula em US$7 bilhões o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia.Segundo Viana, o acordo representa uma conquista em um cenário internacional marcado pelo enfraquecimento de mecanismos multilaterais e pela fragmentação do comércio global. "Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo."“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, ressaltou o presidente da ApexBrasil, ao analisar o potencial econômico do acordo. “É o segundo fluxo comercial que o Brasil tem com o mundo, só perde para a China, e o mais importante: é um comércio equilibrado, praticamente 50 a 50”, afirmou.Jorge Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco. “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento. Temos um comércio de excelente qualidade com a União Europeia”, ressaltou.:: Impactos setoriais positivosNa indústria, o acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil. Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos.Haverá redução gradativa, até zerar, das tarifas sobre diversas commodities (sujeitos a cotas). Destacam-se os principais produtos brasileiros exportados em 2025: carne de aves, carne bovina e etanol.Para o presidente da ApexBrasil, a combinação entre países do Mercosul, com economias tropicais e complementares, e uma das regiões com maior poder de consumo do mundo cria um cenário extremamente positivo.