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EUA oficializam tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros

Medida atinge etanol, papel e máquinas, mas preserva carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, fertilizantes e mais de 1,6 mil códigos tarifários

08:56

Fonte: Alan Santos
Fonte: Alan Santos
O governo dos Estados Unidos oficializou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo autoriza Washington a adotar medidas comerciais contra países cujas práticas sejam consideradas "injustas", "irracionais" ou "discriminatórias" e que prejudiquem os interesses comerciais norte-americanos.

Entre os produtos brasileiros que passarão a ser sobretaxados estão etanol, máquinas agrícolas, máquinas elétricas, vestuário, calçados, equipamentos para mineração, ferramentas de jardinagem, papel, aço, açúcar orgânico, produtos manufaturados e diversos produtos agropecuários.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca ampliou a lista de exceções, deixando de fora mais de 1,6 mil códigos tarifários considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos.

Entre os principais produtos isentos da nova tarifa estão:

  • Carne bovina, incluindo carnes fresca, refrigerada e congelada, carcaças, cortes com e sem osso, carnes premium e produtos processados;

  • Miudezas bovinas, como fígado e língua, além de preparados como corned beef;

  • Café, torrado ou verde, com ou sem descafeinação;

  • Suco de laranja e outros sucos cítricos;

  • Peixes e crustáceos, como tilápia, atum, cavala, espadarte, lagosta e lagostins;

  • Mel natural orgânico, corais e conchas;

  • Diversas frutas, entre elas banana, manga, abacaxi, mamão, abacate, goiaba, laranja e castanha-do-pará;

  • Especiarias, como pimenta, baunilha, canela, gengibre, cúrcuma, cardamomo e açafrão;

  • Cereais e derivados, além de água de coco;

  • Minérios, incluindo minério de ferro, cobre, níquel, alumínio, zinco, tungstênio e urânio;

  • Combustíveis, como petróleo bruto e refinado, gás natural, biodiesel e derivados;

  • Produtos químicos, entre eles vitaminas, hormônios, antibióticos, ácidos e hidrocarbonetos;

  • Fertilizantes, como ureia, sulfato de amônio, nitratos e superfosfatos.


Na avaliação do governo norte-americano, esses itens foram preservados por serem considerados essenciais para cadeias produtivas e para o abastecimento doméstico dos Estados Unidos.

Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão como um "marco lastimável" nas relações bilaterais. Em nota oficial divulgada na noite desta quarta-feira, o Palácio do Planalto afirmou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), além de adotar medidas para mitigar os impactos sobre os setores exportadores brasileiros.

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