Investimentos e avanços regulatórios são fundamentais para ampliar produção de SAF, aponta painel da DATAGRO
Especialistas destacaram o potencial do Brasil na descarbonização da aviação e a importância de mecanismos como o Book & Claim
17:58
Fonte: DATAGRO
Os caminhos para ampliar a produção e o consumo de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil e no mundo foram debatidos nesta segunda-feira (26), durante o quinto e último painel do 1º dia da 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo.Intitulado “SAF – Rumo à Implementação: Book & Claim, Investimentos, Originação e Demanda”, o encontro foi moderado por Giovana Araujo, sócia líder do Agronegócio da KPMG, e contou com a participação de Darlan Silva dos Santos, coordenador de Assuntos de Combustíveis Sustentáveis de Aviação do Ministério de Minas e Energia (MME), e Eliseo Llamazares, líder regional para o setor aeroespacial da KPMG.Durante sua apresentação, Darlan destacou os desafios para ampliar a oferta de SAF, que atualmente representa uma parcela reduzida do consumo mundial de combustível de aviação, com produção concentrada nos Estados Unidos e na Europa.No Brasil, o representante do MME ressaltou os avanços regulatórios proporcionados pela Lei do Combustível do Futuro, que estabelece metas de redução de emissões para a aviação a partir de 2027, começando em 1%.Também apresentou o mecanismo Book & Claim, sistema que permite separar a utilização física do combustível de seus atributos ambientais. Por meio dele, uma empresa pode adquirir certificados associados à produção e ao uso de SAF, mesmo sem utilizar diretamente o combustível, contribuindo financeiramente para a descarbonização do setor. O modelo utiliza mecanismos de rastreabilidade e certificação para evitar a dupla contabilização dos benefícios ambientais.Já Eliseo Llamazares abordou as perspectivas globais do mercado, destacando a necessidade de ampliar os investimentos, desenvolver novas tecnologias e estabelecer mecanismos de financiamento para viabilizar projetos em escala industrial.Segundo estimativas apresentadas pela KPMG, o setor poderá demandar entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão em investimentos até 2050, para a implantação de 5 mil a 7 mil plantas produtoras.O executivo também ressaltou a importância da segurança regulatória, da certificação ambiental e da previsibilidade da demanda para atrair investidores e consolidar o SAF como alternativa para a descarbonização do transporte aéreo.