Últimas notícias
Política Setorial

Mapa prepara mudanças na classificação oficial do café no Brasil

Proposta substitui contagem de defeitos por avaliação percentual em massa dos grãos e estabelece novos critérios de qualidade

10:41

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prepara uma revisão da Classificação Oficial Brasileira do Café, que prevê substituir o atual sistema de contagem de defeitos por uma metodologia baseada no percentual em massa de grãos defeituosos. A proposta busca simplificar os procedimentos de classificação, ampliar a transparência nas negociações e aproximar os critérios oficiais das práticas adotadas pelo mercado.

As mudanças foram discutidas em 21 de outubro, em Vitória (ES), durante reunião com representantes de produtores, exportadores e pesquisadores do setor cafeeiro.

Atualmente, a classificação do café segue principalmente os critérios estabelecidos pela Instrução Normativa nº 8, de 11 de junho de 2003, que utiliza um sistema de equivalências para contabilizar defeitos como grãos pretos, verdes e quebrados.

Pela nova proposta, a avaliação deixaria de considerar a quantidade equivalente de defeitos e passaria a medir o peso dos grãos defeituosos em relação à massa total da amostra.

O texto em discussão também prevê a utilização de amostras de 100 gramas, a divisão dos cafés em cinco tipos conforme os limites percentuais de defeitos e o estabelecimento de umidade máxima de 11,5%.

Novos critérios de avaliação sensorial


Outra mudança prevista é a adoção de uma metodologia única de avaliação sensorial para os cafés arábica e canéfora, com classificação em cinco categorias: Especial, Fino, Superior, Comercial e Inferior.

A proposta estabelece que a pontuação de 0 a 100 seja obrigatória para os cafés classificados como especiais e facultativa para as demais categorias.

A revisão tem como base técnica a análise de 461 amostras de café, sendo 149 coletadas em estados produtores e outras 312 classificadas pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé).

As amostras abrangem os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia e Paraná, com tratamento estatístico realizado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Consulta pública prevista para 2026


O Conselho Nacional do Café (CNC), que acompanha o processo de revisão desde 2020, defende que os novos critérios considerem os possíveis impactos sobre a renda dos produtores, a rotina operacional das cooperativas e a comercialização do produto.

Segundo o Mapa, a expectativa é abrir uma consulta pública sobre a minuta da nova regulamentação ainda em 2026, permitindo a participação dos diferentes segmentos da cadeia produtiva.

Até a eventual aprovação das mudanças, os critérios atuais de classificação do café permanecem em vigor.

A revisão poderá exigir adaptações nos contratos comerciais, nos laudos de classificação e nos procedimentos de treinamento dos profissionais responsáveis pela avaliação da qualidade dos grãos.

Mais Notícias