Setor de tabaco estima perdas de US$ 100 milhões com taifas dos EUA
Entidades alertam governo para risco de perda de mercado nos Estados Unidos e aumento da concorrência de países africanos
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Fonte: Pexels
O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam na última sexta-feira (24) uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando que o governo brasileiro negocie a inclusão do tabaco na lista de produtos isentos da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos às importações brasileiras.No documento, as entidades destacam a relevância econômica e social da cadeia produtiva do tabaco, presente em mais de 525 municípios brasileiros e responsável pela geração de renda para mais de 600 mil pessoas no meio rural.Segundo o setor, os Estados Unidos figuravam historicamente como o terceiro principal destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques. Em 2025, porém, essa participação recuou para 6%.As entidades também ressaltam que diversos produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, suco de laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram incluídos na lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à sobretaxa.Na avaliação do SindiTabaco e da Abifumo, essa diferenciação reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano e pode levar importadores a buscar novos fornecedores.Segundo estimativas do setor, caso a tarifa seja mantida, o Brasil poderá perder cerca de US$ 100 milhões em exportações, à medida que compradores migrem para fornecedores de outros países, especialmente Zimbábue e Malaui, que vêm ampliando sua produção de tabaco.No ofício, as entidades solicitam formalmente a inclusão de todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que engloba o tabaco e seus derivados, na lista de exceções às tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.Segundo o setor, a medida é fundamental para preservar a competitividade das exportações brasileiras e evitar impactos sobre uma cadeia produtiva que tem forte participação na economia de diversas regiões do país.