Boas práticas agrícolas elevam potencial de armazenamento de carbono no solo, mostra pesquisa do CNPEM
Técnicas como plantio direto e sistemas integrados, que favorecem absorção de matéria orgânica e reduzem o revolvimento da terra, podem contribuir para permanência de CO2 no solo
17:46
Fonte: FEBRAPDP
Boas práticas agrícolas, como, por exemplo, o Sistema de Plantio Direto, que favorecem a absorção de matéria orgânica e reduzem o revolvimento da terra podem contribuir para a permanência do carbono no solo. É o que mostra estudo realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com base em dados de 30 pesquisas em diferentes regiões do bioma Cerrado, e que teve como proposta entender como o clima, as características do solo e o manejo das plantas influenciam esse armazenamento de CO2."O solo do Cerrado pode funcionar como um importante reservatório de carbono. Porém sua capacidade de armazenagem depende de fatores ambientais e do uso da terra. As análises investigaram diferentes formas de uso da terra, incluindo vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. O objetivo foi compreender a quantidade total de carbono no solo, como o uso da terra interfere em sua dinâmica e que fatores favorecem sua permanência no solo", explica a pesquisadora da unidade de biorrenováveis do CNPEM, Sarah Tenelli, que também é coordenadora dos estudos.Uma das principais conclusões é que as diferentes formas de carbono presentes no solo respondem a fatores distintos. O chamado carbono orgânico particulado é formado principalmente por resíduos de plantas, como folhas, raízes e outros materiais maiores, e é mais sensível às mudanças nas condições ambientais e no manejo. Já o carbono associado aos minerais fica mais protegido da decomposição e apresenta relação mais forte com a quantidade de silte e argila presente no solo.“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono. Então ele vai estar mais protegido nesse solo, favorecendo essa proteção organomineral do carbono”, diz a pesquisadora.A matéria orgânica do solo é formada por restos de plantas, como folhas, galhos e raízes. Ela desempenha funções importantes para o funcionamento do solo, servindo como fonte de energia para microrganismos, fornecendo nutrientes para as plantas e contribuindo para a retenção de água. Isso proporciona o aumento de produtividade agrícola, reduz a necessidade de adubação química e protege as plantas contra doenças.Parte importante dessa matéria orgânica é composta por carbono. As plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera durante a fotossíntese e incorporam esse carbono à sua biomassa. Quando os resíduos vegetais chegam ao solo e são transformados em matéria orgânica, parte desse carbono pode permanecer armazenada no solo.“Se você tem sistemas agrícolas mais sustentáveis, capazes de adicionar mais carbono ao solo, isso é interessante em relação às mudanças climáticas, porque você vai estar removendo parte desse carbono na atmosfera e estocando na terra”, enfatiza Sarah.