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COP17: ONU premia iniciativa brasileira de restauração do Cerrado com título de Campeã Mundial da Restauração

Projeto Araticum é um dos três premiados pela restauração de ecossistemas degradados, ao lado de iniciativas da região do Sahel e da Arábia Saudita

16:06

Foto: Freepik
Foto: Freepik
Um projeto brasileiro de restauração do Cerrado esteve entre as três iniciativas premiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira (26), com o título World Restoration Flagships (Campeões Mundiais da Restauração), ao lado da região do Sahel e no Reino da Arábia Saudita. As iniciativas estão fortalecendo a produtividade das paisagens por meio da restauração de ecossistemas degradados em regiões afetadas pela seca, desertificação e mudanças climáticas.

Ao assumirem o compromisso de restaurar quase 5 milhões de hectares até 2030 – uma área equivalente a cerca de 7 milhões de campos de futebol –, as três iniciativas premiadas contribuem para os compromissos globais de restaurar um bilhão de hectares até o fim da década.

Liderados conjuntamente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os prêmios são concedidos no âmbito da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030) e foram anunciados durante um evento de alto nível da 17ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD).

O Cerrado brasileiro é a savana tropical mais biodiversa do mundo. A Iniciativa Araticum: Restaurando o Cerrado Brasileiro reúne mais de 180 organizações, povos indígenas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros. O trabalho é realizado por meio da regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas. Até junho de 2026, mais de 27 mil hectares já estavam em processo de restauração, enquanto sementes de mais de 150 espécies nativas foram coletadas e utilizadas nas ações de recuperação. A iniciativa tem como meta restaurar 2 milhões de hectares até 2030.

“Restaurar as terras degradadas do mundo deve se tornar nossa prioridade se quisermos cumprir os compromissos globais relacionados à segurança alimentar, à neutralidade da degradação da terra, à biodiversidade, à diversidade alimentar e à crise climática”, afirma o Diretor-Geral da FAO, QU Dongyu. “Cada hectare restaurado é um passo em direção a um futuro mais sustentável.”

“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, assim como as persistentes tensões geopolíticas, estão afetando severamente os sistemas alimentares globais”, declara Inger Andersen, Diretora-Executiva do PNUMA. “Investir em terras saudáveis é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje demonstram que a restauração de ecossistemas gera benefícios significativos para todos, incluindo segurança alimentar, novos empregos e maior resiliência para milhões de pessoas.”

“Hoje há um reconhecimento crescente de que a degradação da terra, a seca e a perda de ecossistemas não são mais apenas questões ambientais, mas desafios fundamentais para a segurança alimentar, a segurança hídrica e a estabilidade econômica”, afirmou Dra. Yasmine Fouad, Secretária-Executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

“Esses Campeões Mundiais da Restauração mostram que a restauração funciona. Eles demonstram que investir na natureza fortalece a resiliência, apoia os meios de vida e gera benefícios concretos para as pessoas e comunidades. Na COP17 da UNCCD, na Mongólia, nosso foco será ampliar a restauração de terras e a resiliência à seca, transformando soluções comprovadas em ações na escala que o mundo necessita.”

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