Eletrificação e etanol devem avançar juntos no Brasil, apontam especialistas
Painel da 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol destaca potencial dos veículos híbridos flex para descarbonizar o transporte brasileiro
16:50
Fonte: DATAGRO
A combinação entre a eletrificação dos veículos e o uso do etanol representa um dos caminhos mais promissores para a descarbonização do transporte no Brasil. Essa foi a avaliação predominante entre os participantes do painel “Eletrificação Usando Etanol – Tendência no Brasil?”, realizado nesta terça-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.Moderado por Gerson Borini, consultor em engenharia automotiva do Autoentusiastas, o painel contou com a participação de Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD; Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea); e Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).Durante sua participação, Calvet destacou que, embora as estratégias de investimento das montadoras estejam alinhadas às tendências globais, o Brasil possui características próprias que precisam ser consideradas no desenvolvimento de novas tecnologias. Segundo o presidente da Anfavea, a trajetória nacional com o Proálcool e os veículos flex permite integrar a eletrificação ao uso do etanol, sem a necessidade de apostar em uma única solução tecnológica. O executivo também ressaltou que a ampliação dos investimentos depende de segurança regulatória, escala de produção e condições de competitividade no mercado brasileiro.Na mesma linha, Baldy destacou que a BYD busca adaptar suas tecnologias às características do mercado brasileiro, combinando a eletrificação com o uso do etanol. O executivo ressaltou a boa receptividade dos consumidores aos modelos que oferecem diferentes alternativas de abastecimento e afirmou que a estratégia da companhia é priorizar veículos flex em sua produção nacional. Segundo Baldy, a integração das tecnologias permite aproveitar a matriz energética brasileira e oferecer soluções de menor impacto ambiental aos consumidores.Já Ricardo Bastos defendeu que a utilização do etanol em veículos eletrificados pode representar um diferencial competitivo para o Brasil e servir de referência para outros mercados. O presidente da ABVE também abordou os desafios relacionados à cadeia produtiva dos veículos elétricos, especialmente o desenvolvimento de baterias e sua destinação após o período de utilização. Segundo o executivo, embora as baterias apresentem uma vida útil prolongada e mantenham valor econômico ao final de seu uso nos veículos, ainda é necessário avançar nas soluções de reciclagem e reaproveitamento desses componentes.Ao longo do debate, os participantes reforçaram que a eletrificação e o etanol não precisam ser tratados como tecnologias concorrentes, mas como alternativas complementares para reduzir as emissões do setor automotivo, preservar a competitividade da indústria nacional e ampliar as opções disponíveis aos consumidores brasileiros.