Primeiros leilões do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixo Carbono devem ocorrer até o final do ano
Estimativa é de R$ 18,3 bilhões em cinco anos, oferecidos sob a forma de crédito fiscal a ser usufruído pelas empresas entre 2030 e 2034
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O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Carlos Colombo, disse, nesta quarta-feira (17), que o governo federal deverá editar o decreto regulamentador da Lei 14.948/2024, e iniciar ainda este ano os leilões do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixo Carbono (PHBC).Este programa representa o impulso econômico do governo federal para deslanchar os primeiros investimentos de larga escala na cadeia brasileira de hidrogênio. Serão R$ 18,3 bilhões em cinco anos, oferecidos sob a forma de crédito fiscal a ser usufruído pelas empresas entre 2030 e 2034. O volume financeiro será oferecido progressivamente, com R$ 1,7 bilhão oferecido no primeiro ano do programa, chegando a R$ 5 bilhões em 2034.O objetivo destes recursos fiscais, segundo o secretário, é ajudar a estruturar projetos que possam dar escala à produção nacional de hidrogênio. “Os leilões do PHBC serão destinados a projetos de maior escala. A legislação de 2024 já definiu setores estratégicos para os projetos: cimento, fertilizantes, transporte pesado, indústria química e petroquímica, que são claramente vocacionados para receber hidrogênio. Nosso objetivo é posicionar o Brasil como um hub da descarbonização, tanto para a indústria brasileira como para a América Latina como um todo”, afirmou, acrescentando que "o primeiro leilão deverá acontecer ainda em 2026, após as eleições".O PHBC estará disponível tanto para empresas produtoras como compradoras de hidrogênio no mercado brasileiro. Assim, ajudará a estruturar a cadeia tanto pelo lado da oferta como pela demanda. Mas para participar, as empresas deverão ser integradas ao Rehidro, o regime especial para hidrogênio que já está em vigor e estabelece compensações que estimulam as empresas a investir ainda mais nas inovações que podem consolidar a indústria no país.De acordo com Fernanda Delgado, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), o país tem adiante a oportunidade de mobilizar a produção local de metanol (hoje 100% importado), amônia verde (com impactos positivos na produção local de fertilizantes, e do próprio etanol (neste caso, muito em função das misturas que podem ser feitas para gerar produtos como o Sustainable Aviation Fuel, combustível biogênico para aviões).“A ABIHV construiu uma agenda internacional, nestes quase três anos, para mostrar a potencialidade dos projetos brasileiros para os próximos anos. Há projetos que já têm engenharia pronta, áreas consolidadas, até mesmo com offtakers já consolidados. O offtaker hoje é a palavra mágica, é o ticket dourado para todos nós aqui, produtores ou participantes da cadeia de desenvolvimento do hidrogênio”, disse a presidente da ABIHV.