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Espírito Santo testa uso de gás natural para secagem de café

Iniciativa pioneira avalia custos, eficiência, qualidade e sustentabilidade do uso do combustível como alternativa à lenha e outras biomassas

14:56

Foto: Freepik
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Um projeto-piloto da ES Gás – concessionária responsável pela distribuição de gás natural canalizado no Espírito Santo – testa, pela primeira vez no Brasil, o uso de gás natural na secagem de café como alternativa às fornalhas abastecidas com lenha e outras biomassas.

Avaliada em R$ 1 milhão, a iniciativa é conduzida em parceria com Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet's e Base 27, com acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).

O projeto foi iniciado nesta safra em uma fazenda de café conilon em Linhares, no norte do Espírito Santo, e busca avaliar custos, eficiência operacional, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade do processo.

Entre maio e agosto, cerca de 9,4 mil sacas de 60 quilos foram utilizadas nos testes, que empregaram três tipos de queimadores. Entre os aspectos avaliados estão o controle de temperatura, o consumo energético, a combustão e os efeitos sobre a qualidade dos grãos.

Segundo Fabio Lancelotti, diretor técnico comercial da ES Gás, em declaração à CNN Brasil, o uso do combustível pode reduzir a dependência de lenha e facilitar o controle da operação.

Na secagem tradicional, o produtor precisa manter funcionários dedicados ao acompanhamento da queima, além de lidar com a logística de entrega e reposição da biomassa. A proximidade entre as plantas de produção de gás natural e as regiões cafeeiras é considerada um dos principais diferenciais do projeto.

O presidente do CCCV, Fabrício Tristão, declarou à CNN que a disponibilidade do gás natural pode superar uma das principais barreiras enfrentadas por experiências semelhantes em outros países: a logística de distribuição. Para ele, o estado reúne condições particulares para testar a tecnologia em escala comercial.

Além da eficiência e do custo, o projeto também avalia a qualidade do café e a sustentabilidade da produção. Os grãos secos foram encaminhados para análises laboratoriais de umidade, maturidade e características da bebida.

De acordo com Tristão, milhares de dados serão analisados para avaliar conjuntamente qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e viabilidade econômica.

A expectativa é que o estudo avance pelos próximos dois a três anos e, a partir dos resultados, novas experiências sejam realizadas na cafeicultura capixaba.

Produtores já procuraram a ES Gás para discutir a possibilidade de implantação de pequenas centrais regionais de distribuição de gás natural, enquanto o CCCV espera que o modelo desenvolvido em Linhares possa ser replicado a partir da safra de 2027.

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