Espírito Santo testa uso de gás natural para secagem de café
Iniciativa pioneira avalia custos, eficiência, qualidade e sustentabilidade do uso do combustível como alternativa à lenha e outras biomassas
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Foto: Freepik
Um projeto-pilotoda ES Gás – concessionária responsável pela distribuição de gás natural canalizado no Espírito Santo – testa, pela primeira vez no Brasil, o uso de gás natural na secagem de café como alternativa às fornalhas abastecidas com lenha e outras biomassas.Avaliada em R$ 1 milhão, a iniciativa é conduzida em parceria com Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet's e Base 27, com acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).O projeto foi iniciado nesta safra em uma fazenda de café conilon em Linhares, no norte do Espírito Santo, e busca avaliar custos, eficiência operacional, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade do processo.Entre maio e agosto, cerca de 9,4 mil sacas de 60 quilos foram utilizadas nos testes, que empregaram três tipos de queimadores. Entre os aspectos avaliados estão o controle de temperatura, o consumo energético, a combustão e os efeitos sobre a qualidade dos grãos.Segundo Fabio Lancelotti, diretor técnico comercial da ES Gás, em declaração à CNN Brasil, o uso do combustível pode reduzir a dependência de lenha e facilitar o controle da operação.Na secagem tradicional, o produtor precisa manter funcionários dedicados ao acompanhamento da queima, além de lidar com a logística de entrega e reposição da biomassa. A proximidade entre as plantas de produção de gás natural e as regiões cafeeiras é considerada um dos principais diferenciais do projeto.O presidente do CCCV, Fabrício Tristão, declarou à CNN que a disponibilidade do gás natural pode superar uma das principais barreiras enfrentadas por experiências semelhantes em outros países: a logística de distribuição. Para ele, o estado reúne condições particulares para testar a tecnologia emescala comercial.Além da eficiência e do custo, o projeto também avalia a qualidade do café e a sustentabilidade da produção. Os grãos secos foram encaminhados para análises laboratoriais de umidade, maturidade e características da bebida.De acordo com Tristão, milhares de dados serão analisados para avaliar conjuntamente qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e viabilidade econômica.A expectativa é que o estudo avance pelos próximos dois a três anos e, a partir dos resultados, novas experiências sejam realizadas na cafeicultura capixaba.Produtores já procuraram a ES Gás para discutir a possibilidade de implantação de pequenas centrais regionais de distribuição de gás natural, enquanto o CCCV espera que o modelo desenvolvido em Linhares possa ser replicado a partir da safra de 2027.