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Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratamento de queimaduras

Unidade será construída no Ceará com investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles do pescado por dia

14:44

Fonte: Foto: Wenderson Araujo (CNA)
Fonte: Foto: Wenderson Araujo (CNA)
O Brasil deverá receber a primeira fábrica do mundo voltada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será instalada em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial estimado em R$ 52 milhões.

O projeto pretende transformar um subproduto da indústria pesqueira em um curativo biológico destinado principalmente ao tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização.

A iniciativa será conduzida pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical, a partir de uma tecnologia desenvolvida em pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, o laboratório da universidade consegue processar cerca de 600 peles de tilápia por mês.

Com a industrialização, a previsão é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação comercial e, posteriormente, chegar a uma capacidade de até 12 mil peles diariamente.

A construção da fábrica está prevista para começar em outubro deste ano. O cronograma estima entre 15 e 18 meses para a conclusão das obras, instalação dos equipamentos e validação dos lotes-piloto.

Caso os prazos sejam cumpridos, a unidade poderá iniciar as operações em janeiro de 2028. A comercialização do produto, no entanto, ainda dependerá do cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A previsão é de que a fábrica gere inicialmente cerca de 200 empregos diretos, com parte dos profissionais recebendo capacitação técnica em parceria com a UFC e outras instituições.

A escolha do município de Jaguaribara está relacionada à proximidade com o Açude Castanhão, importante polo de produção de tilápia no Ceará.

 

Como funciona o curativo de pele de tilápia


A pele do peixe passa por processos de preparação e esterilização antes de ser transformada em um curativo biológico.

O material pode aderir à superfície da ferida e ser utilizado no tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus. Uma das principais vantagens apontadas pelos responsáveis pelo projeto é a possibilidade de reduzir a frequência das trocas de curativos, que podem ser dolorosas para os pacientes e exigir o uso de analgésicos e novos procedimentos médicos.

De acordo com dados apresentados pela empresa responsável, a tecnologia tem potencial para reduzir em 52% o custo total do tratamento de queimaduras em comparação com métodos convencionais.

Também há expectativa de diminuir o uso de analgésicos opioides e a necessidade de encaminhar pacientes repetidamente ao centro cirúrgico para a substituição dos curativos. Com a produção em escala industrial, a tecnologia poderá atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).

A pele de tilápia também será submetida à liofilização, processo de desidratação que permite o armazenamento sem refrigeração. A expectativa é que o curativo tenha validade de até três anos em temperatura ambiente.

Antes da aplicação, o material deverá ser reidratado com solução fisiológica, o que pode facilitar o transporte e o armazenamento, inclusive para regiões distantes dos centros produtores.

Outros países, como o México, a Turquia e Portugal, já começam a demonstrar interesse em pesquisas e futuras aplicações do produto. A possibilidade de armazenamento em temperatura ambiente pode contribuir para a expansão da tecnologia para outros mercados.

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