Os
confinamentos bovinos têm ganhado espaço na
pecuária brasileira, impulsionados pela
busca por produtividade e
novas oportunidades de mercado. Ao mesmo tempo, produtores e gestores precisam conciliar o avanço da
pecuária intensiva com uma
gestão consciente e priorizando cuidados com a
sanidade animal, fatores fundamentais para o desempenho das operações.Os desafios dos confinamentos foram discutidos no
5º Painel do Fórum Pecuária Brasil DATAGRO, moderado pela
analista de Commodities da DATAGRO Pecuária,
Isabela Ingracia.O painel reuniu representantes de empresas parceiras do projeto
Indicador do Boi na Estrada:
Adam P. Sammour,
sócio-diretor da RAS Company;
Rodrigo Danelon,
sócio e conselheiro da Real Beef; e
Vagner Lopes,
gerente corporativo de Confinamento Sênior da MFG Agropecuária.
Mercado necessita de equipes mais preparadas
Para Adam P. Sammour, um dos principais desafios de uma
operação de confinamento é a
formação de equipes técnicas e proativas. “Hoje, nós temos um dos menores índices de turnover do mercado”, afirmou.Segundo o executivo, a RAS investe na
formação contínua dos colaboradores, com foco na
criação de novas lideranças dentro das propriedades. “O grande desafio de hoje são as pessoas e por isso buscamos sempre formar melhor nossos colaboradores”, disse.A empresa também aposta na
diversificação das atividades agropecuárias. “Possuímos uma área de quase 18 mil hectares de
cana-de-açúcar,
pastagem e
cereais. Fazemos isso porque acreditamos que
agricultura e pecuária têm uma sinergia”, afirmou Sammour.
Gestão estratégica dos confinamentos
Rodrigo Danelon contou que começou a atuar na pecuária em
2006, ao lado do irmão, sendo a
primeira geração de produtores rurais de sua família. Em
2008, os dois iniciaram a atividade na
pecuária extensiva, com integração entre lavoura e pecuária.A Real Beef foi fundada em
2019, quando os irmãos identificaram uma
oportunidade de mercado na expansão dos confinamentos bovinos. Segundo Danelon, o crescimento da
oferta de subprodutos das usinas de etanol de milho, como o
DDG, foi um dos fatores que motivaram o investimento no setor.Uma das unidades da empresa foi instalada
estrategicamente próxima a uma
usina de biocombustível, facilitando o acesso aos
insumos utilizados na
nutrição animal.Além dos investimentos em estrutura, a Real Beef mantém o programa
“Da Universidade ao Campo”, voltado à formação de profissionais para atuar em confinamentos. A iniciativa promove a aproximação entre
estudantes universitários e
diretores da companhia com experiência na atividade.“Queremos mostrar que não é somente uma fazenda, mas na verdade é uma verdadeira indústria”, afirmou Danelon.
Ganhos de produtividade passam pela sanidade animal
Para Vagner Lopes, da MFG Agropecuária, o
acompanhamento de indicadores de produtividade de gado é essencial para o
desempenho dos confinamentos. “Sem os números, nós não conseguiríamos bater as metas que desejamos bater”, afirmou.Segundo o gerente, a
gestão dos animais vai além da
nutrição e do
ganho de peso. A empresa formula as dietas de acordo com as
necessidades dos animais e mantém
acompanhamento constante da qualidade dos reservatórios de água.“E
dieta é só uma parte do negócio, é preciso ter
ambiência,
sanidade e muitos outros cuidados”, disse Lopes. Na avaliação do gestor, a
redução da mortalidade animal é um dos caminhos para elevar a produtividade.Segundo ele,
a probabilidade de um animal morrer nas fazendas da MFG é atualmente 58% menor do que em outros confinamentos.A empresa também mantém treinamentos internos para capacitar as equipes e utiliza tecnologias para acompanhar o desempenho dos animais. Entre as ferramentas citadas por Lopes está a
câmera de pesagem. A MFG também passou a utilizar
marcação dos animais com tinta e abandonou a prática da
marcação a fogo.