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Confinamentos bovinos expandem sem perder o foco na sanidade animal

Empresas parceiras do Indicador do Boi DATAGRO discutem avanços e desafios da pecuária intensiva no 5º Painel do Fórum Pecuária Brasil

10:07

Fonte: DATAGRO
Fonte: DATAGRO
Os confinamentos bovinos têm ganhado espaço na pecuária brasileira, impulsionados pela busca por produtividade e novas oportunidades de mercado. Ao mesmo tempo, produtores e gestores precisam conciliar o avanço da pecuária intensiva com uma gestão consciente e priorizando cuidados com a sanidade animal, fatores fundamentais para o desempenho das operações.

Os desafios dos confinamentos foram discutidos no 5º Painel do Fórum Pecuária Brasil DATAGRO, moderado pela analista de Commodities da DATAGRO Pecuária, Isabela Ingracia.

O painel reuniu representantes de empresas parceiras do projeto Indicador do Boi na Estrada: Adam P. Sammour, sócio-diretor da RAS Company; Rodrigo Danelon, sócio e conselheiro da Real Beef; e Vagner Lopes, gerente corporativo de Confinamento Sênior da MFG Agropecuária.

Mercado necessita de equipes mais preparadas


Para Adam P. Sammour, um dos principais desafios de uma operação de confinamento é a formação de equipes técnicas e proativas. “Hoje, nós temos um dos menores índices de turnover do mercado”, afirmou.

Segundo o executivo, a RAS investe na formação contínua dos colaboradores, com foco na criação de novas lideranças dentro das propriedades. “O grande desafio de hoje são as pessoas e por isso buscamos sempre formar melhor nossos colaboradores”, disse.

A empresa também aposta na diversificação das atividades agropecuárias. “Possuímos uma área de quase 18 mil hectares de cana-de-açúcar, pastagem e cereais. Fazemos isso porque acreditamos que agricultura e pecuária têm uma sinergia”, afirmou Sammour.

Gestão estratégica dos confinamentos


Rodrigo Danelon contou que começou a atuar na pecuária em 2006, ao lado do irmão, sendo a primeira geração de produtores rurais de sua família. Em 2008, os dois iniciaram a atividade na pecuária extensiva, com integração entre lavoura e pecuária.

A Real Beef foi fundada em 2019, quando os irmãos identificaram uma oportunidade de mercado na expansão dos confinamentos bovinos. Segundo Danelon, o crescimento da oferta de subprodutos das usinas de etanol de milho, como o DDG, foi um dos fatores que motivaram o investimento no setor.

Uma das unidades da empresa foi instalada estrategicamente próxima a uma usina de biocombustível, facilitando o acesso aos insumos utilizados na nutrição animal.

Além dos investimentos em estrutura, a Real Beef mantém o programa “Da Universidade ao Campo”, voltado à formação de profissionais para atuar em confinamentos. A iniciativa promove a aproximação entre estudantes universitários e diretores da companhia com experiência na atividade.

“Queremos mostrar que não é somente uma fazenda, mas na verdade é uma verdadeira indústria”, afirmou Danelon.

Ganhos de produtividade passam pela sanidade animal


Para Vagner Lopes, da MFG Agropecuária, o acompanhamento de indicadores de produtividade de gado é essencial para o desempenho dos confinamentos. “Sem os números, nós não conseguiríamos bater as metas que desejamos bater”, afirmou.

Segundo o gerente, a gestão dos animais vai além da nutrição e do ganho de peso. A empresa formula as dietas de acordo com as necessidades dos animais e mantém acompanhamento constante da qualidade dos reservatórios de água.

“E dieta é só uma parte do negócio, é preciso ter ambiência, sanidade e muitos outros cuidados”, disse Lopes. Na avaliação do gestor, a redução da mortalidade animal é um dos caminhos para elevar a produtividade.

Segundo ele, a probabilidade de um animal morrer nas fazendas da MFG é atualmente 58% menor do que em outros confinamentos.

A empresa também mantém treinamentos internos para capacitar as equipes e utiliza tecnologias para acompanhar o desempenho dos animais. Entre as ferramentas citadas por Lopes está a câmera de pesagem. A MFG também passou a utilizar marcação dos animais com tinta e abandonou a prática da marcação a fogo.

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