Calor e baixa umidade favorecem colheita de milho, mas elevam risco para pecuária
Tempo seco amplia as janelas de colheita da segunda safra no Centro-Oeste, mas exige atenção às pastagens e ao abastecimento de água
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Foto: R Langstang/Pexels
De acordo com o boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão detempo quente e seco para os próximos dias deve favorecer o avanço da colheita domilho segunda safra no Centro-Oeste, mas também aumenta os riscos para a pecuária.Até o momento, segundo o acompanhamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 84,7% da área nacional do cereal de segunda safra já havia sido colhida.Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente concluídos, enquanto Goiás avança nas regiões norte e leste e Mato Grosso do Sul deve se beneficiar do tempo firme para retomar as operações.Nas áreas de milho em maturação fisiológica e colheita, a ausência de chuvas tende a melhorar as condições operacionais, ao favorecer a redução daumidade dos grãos e ampliar as janelas para entrada das máquinas.O cenário também pode diminuir a necessidade de secagem artificiale reduzir riscos de deterioração pós-colheita relacionados ao excesso de umidade.Por outro lado, as lavouras mais tardias, ainda em fase de enchimento de grãos, podem sofrer com a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e déficit hídrico no solo.Essas condições intensificam a evapotranspiração e podem limitar a translocação de fotoassimilados para os grãos, reduzindo o peso final e o potencial produtivo.Já a previsão do modeloCOSMO indica chuvas baixas e pontuais nos próximos sete dias, concentradas principalmente no extremo sul de Mato Grosso do Sul.No restante do Centro-Oeste, a tendência é de tempo estável, sob influência de uma massa de ar seco. As temperaturas máximas devem variar entre 34 °C e 38 °C em grande parte da região, podendo superar 40 °C em áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso e no norte de Mato Grosso do Sul.A umidade relativa do ar também deve ficar abaixo de 20% em áreas de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, especialmente durante as tardes.Para a pecuária, a persistência do tempo seco pode comprometer a rebrota e a qualidade nutricional das pastagens, reduzindo a disponibilidade de forragem e aumentando a necessidade de suplementação alimentar e de ajustes na lotação dos animais.A combinação de calor, baixa umidade e ausência de chuvas também tende a elevar o estresse térmico dos rebanhos, sobretudo em sistemas extensivos.Entre as medidas recomendadas estão: o fornecimento de água limpa e fresca em maior volume; a garantia de áreas de sombreamento natural ou artificial; e a redução de manejos que demandem esforço físico, como deslocamentos, apartações e transporte, nos horários de maior radiação solar e temperatura.Além disso, a redução da umidade da vegetação e da palhada das áreas recém-colhidas aumenta o risco de propagação de incêndios em lavouras e pastagens. Portanto, o cenário climático exige planejamento das operações agrícolas e atenção redobrada ao manejo dos rebanhos no período seco.