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Projeto investe R$ 3 milhões na conservação de sementes crioulas de milho

Iniciativa da Embrapa e da ASA atua em quatro estados e prevê fortalecer 122 casas e bancos comunitários de cultivares até 2027

10:50

Foto: Andrew Swarga/Pexels
Foto: Andrew Swarga/Pexels
O Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido (AgrobioSA) realiza experimentos com variedades crioulas de milho em Alagoas, Bahia, Paraíba e Piauí para fortalecer a conservação e o uso de sementes adaptadas às condições locais. A iniciativa é coordenada pela Embrapa Alimentos e Territórios, em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com investimento superior a R$ 3 milhões até 2027, a pesquisa atua em sete territórios e prevê beneficiar cerca de 2 mil famílias de agricultores familiares, assentados, povos indígenas e comunidades quilombolas.

Em 2026, quatro ensaios participativos avaliam pelo menos 20 variedades de milho. Cerca de 100 materiais já foram testados quanto à presença de transgênicos e, na fase anterior, 34% das amostras analisadas apresentaram proteínas geneticamente modificadas.

Uma das principais frentes é o monitoramento e fortalecimento de 122 casas e bancos comunitários de sementes, espaços mantidos pelas próprias comunidades para armazenar, trocar e multiplicar variedades locais. Em Alagoas, a Rede Sementes da Resistência reúne mais de 60 bancos. Além de preservar a diversidade genética agrícola, essas estruturas contribuem para a autonomia produtiva e a segurança alimentar das famílias.

Outra iniciativa é a construção de uma Rede de Proteção do Milho Crioulo, que prevê protocolos de monitoramento da contaminação por transgênicos, reintrodução de materiais conservados pela Embrapa em bancos de germoplasma e estruturação de unidades territoriais de conservação. Segundo o coordenador do projeto, Fernando Curado, a contaminação representa um dos principais riscos à preservação dessas variedades.

O projeto também implantou viveiros de mudas em Escolas Família Agrícola na Bahia e no Piauí e em unidades com sistema de Agrocaatinga. Em Delmiro Gouveia (AL), um campo de multiplicação de sementes crioulas foi instalado em agosto de 2026 para contribuir com a renovação dos estoques comunitários.

Nos ensaios, o acompanhamento do ciclo das plantas e a caracterização das variedades ajudam a identificar diferenças entre os materiais e a ampliar o conhecimento sobre seu comportamento nas condições locais.

Para Curado, valorizar os guardiões de sementes e associar seus conhecimentos à pesquisa contribui para a soberania científica do país e a segurança alimentar e nutricional. As variedades crioulas são selecionadas e conservadas pelas próprias famílias, que mantêm sua circulação entre comunidades e sua adaptação aos sistemas produtivos do Semiárido.

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