Abipesca propõe cota anual para importação de filé de tilápia
Entidade sugere limite de 16,2 mil toneladas e afirma que avanço das compras externas ocorre em meio à queda das exportações nacionais
11:02
Fonte: Foto: Wenderson Araujo (CNA)
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) propôs ao governo federal a criação de uma cota anual de aproximadamente 16,2 mil toneladas para a importação de filés de tilápia, independentemente do país de origem. Segundo a entidade, o mecanismo seria temporário, com aplicação transparente e revisões periódicas para acompanhar as condições do mercado.A proposta tem como referência a média mensal dos desembarques registrados no primeiro semestre de 2026 – anualizada – e corresponderia a cerca de 5% da produção brasileira estimada de filés de tilápia.A Abipesca defende que o volume seja acompanhado por indicadores de preços, oferta, empregos e capacidade instalada, além de critérios sanitários e de qualidade e da avaliação de eventuais práticas de concorrência desleal.De acordo com os dados apresentados pela associação, o Brasil importou cerca de 8 mil toneladas de filés de tilápia do Vietnã nos primeiros seis meses de 2026, movimentando US$ 33 milhões.Em março, as compras externas chegaram a representar aproximadamente 11% da produção nacional mensal e, pela primeira vez, as importações de tilápia superaram as exportações brasileiras no período citado pela entidade.O avanço do produto estrangeiro ocorre paralelamente ao crescimento da produção nacional. Em 2025, o Brasil produziu mais de 707 mil toneladas de tilápia inteira, o equivalente a aproximadamente 212 mil toneladas de filés.Ao mesmo tempo, as exportações da piscicultura brasileira recuaram 34% no primeiro semestre de 2026, na comparação anual, segundo a Abipesca. Para a entidade, a combinação entre maior entrada de pescado importado e menor desempenho das exportações aumenta a pressão sobre produtores e frigoríficos.A associação afirma que o acesso do pescado brasileiro ao mercado europeu permanece limitado e que alterações nas tarifas dos Estados Unidos afetaram pedidos e contratos de exportação. O setor também acompanha uma possível abertura do mercado brasileiro para a tilápia da China, produzida em escala superior a nacional.A pressão também aparece nos investimentos para a produção futura. Segundo a associação, entidades regionais registraram queda de aproximadamente 30% nas vendas de alevinos em seis meses.Como o ciclo produtivo exige planejamento antecipado, a redução das compras de peixes jovens pode indicar menor intenção de povoamento dos viveiros e, consequentemente, de produção nos próximos períodos.Além das condições de mercado, a cadeia enfrenta aumento de custos com petróleo, fretes, seguros e logística.A associação também demonstra preocupação com uma eventual inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. A medida, segundo a entidade, poderia elevar a insegurança regulatória para empreendimentos que dependem de licenciamento ambiental, crédito, uso de águas da União e autorizações para expansão.