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Fórum Pecuária Brasil reúne 750 pessoas na sua sexta edição em São Paulo (SP)

Evento reuniu as principais lideranças da cadeia produtiva, tanto do lado dos pecuaristas quanto do lado da indústria frigorífica

13:38

Foto: divulgação DATAGRO
Foto: divulgação DATAGRO
Nesta quarta-feira (16), o Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo (SP), foi palco do Fórum Pecuária Brasil, evento referência do setor, que reuniu as principais lideranças da cadeia produtiva, tanto do lado dos pecuaristas quanto do lado da indústria frigorífica.

Organizado pela DATAGRO, o Fórum chegou neste ano a sua sexta edição na capital paulista, reunindo cerca de 750 pessoas.

Assim como no ano passado, o Fórum Pecuária Brasil foi o evento oficial de conteúdo técnico da Beef Week, uma semana repleta de programações e eventos de referência no setor pecuário.

Entre os principais participantes presentes estavam o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari; a coordenadora de produtos da Bolsa Brasileira (B3), Camila Faria de Castro; o presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Maurício Velloso; e o Diretor Executivo do Banco Pine, Cristiano Oliveira.

Confira abaixo o que foi debatido em cada painel.

Cerimônia de Abertura


Na abertura do evento, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Oliveira Soares, antecipou a informação de que o Brasil assinará em breve um acordo com o Marrocos para o fornecimento inicial de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados. Segundo Soares, as pastagens consumiram mais de 1 milhão de toneladas de fosfatados em 2025, reforçando a importância do acordo para a pecuária.

O secretário também informou que a União Europeia autorizou o restabelecimento dos embarques de carne de frango, enquanto Japão e Coreia do Sul avaliam a cadeia produtiva bovina brasileira visando uma possível abertura de mercado.

O presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, destacou a capacidade da pecuária de agregar valor à produção agrícola, transformando grãos, farelo de soja e DDG em proteína animal.

Já o presidente da Assocon, Mauricio Velloso, ressaltou os avanços tecnológicos do setor em genética, sanidade, manejo, bem-estar animal e sustentabilidade, fatores que contribuíram para a presença da carne bovina brasileira em mais de 170 países.

Confira a cobertura completa.

Painel 1 – As novas projeções da DATAGRO


A produção brasileira de carne bovina deve recuar em 2027, acompanhada por uma queda mais acentuada no consumo doméstico, enquanto as exportações tendem a avançar.

Segundo a DATAGRO, o abate total de bovinos deve cair de 44,7 milhões para 41,2 milhões de cabeças, enquanto o abate inspecionado recua 8,8%, para 37,1 milhões. A redução ocorre em meio à retenção de fêmeas para reconstrução do rebanho. A produção formal deve diminuir 5,9%, para 10,108 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC).

O consumo doméstico deve recuar 10,6%, para 5,905 milhões de TEC. Já as exportações devem alcançar 4,248 milhões de TEC, alta de 1,7%. Com isso, a parcela da produção destinada ao mercado externo aumentaria de 38,6% para 41,6% em 2027.

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Painel 2 – A visão dos frigoríficos


Executivos dos frigoríficos Barra Mansa, Frigol e Plena Alimentos apontaram desafios para as exportações brasileiras de carne bovina, mas demonstraram confiança na demanda doméstica e na oportunidade aberta pelos Estados Unidos.

Guilherme Oranges, Luciano Pascon e Paulo Emilio destacaram o embargo da União Europeia e o esgotamento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa extra. Para Oranges, a retomada das vendas à UE depende de negociações diplomáticas. “Neste ponto, o setor privado tem pouco a fazer”, afirmou.

Nos EUA, a abertura temporária de uma cota de 300 mil toneladas com tarifas reduzidas pode criar espaço para o Brasil. No mercado doméstico, que historicamente absorve cerca de 80% da produção nacional, os executivos observam demanda resiliente. “Os cortes bovinos mais nobres ficam no Brasil. O maior volume exportado é de dianteiros”, afirmou Emilio.

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Painel 3 – Contrato futuro do Boi Gordo volta a ganhar liquidez na B3


O contrato futuro de boi gordo da B3, o BGI, vem ampliando a participação de investidores além da cadeia pecuária. No terceiro painel do evento, participantes destacaram o avanço de capital estrangeiro, instituições financeiras e investidores que buscam diferentes estratégias no mercado.

Segundo a B3, a participação de não residentes no volume negociado passou de 8,4% em 2020 para 28,5% em 2026. As pessoas físicas representam 40,4%, instituições financeiras, 7,1%, e investidores institucionais, 5,6%.

Os participantes ressaltaram que a diversificação aumenta a liquidez e fortalece o uso do contrato como ferramenta de gestão de risco. “O produtor não vive do preço, e sim da margem”, afirmou Henrique Aguiar, da Nova Futura, ao defender a previsibilidade proporcionada pelo mercado futuro.

Para Breno Maia, da Necton, o avanço também amplia a visibilidade da pecuária brasileira entre investidores internacionais. A B3, por sua vez, vê espaço para ampliar a participação dos pecuaristas e desenvolver novos produtos voltados às necessidades da cadeia.

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Painel 4 – Rastreabilidade da carne bovina começa deve começar na cria


A rastreabilidade da carne bovina deve começar na cria, primeiro elo da cadeia produtiva, diante da crescente exigência dos consumidores por informações sobre a origem dos produtos. A avaliação foi apresentada por Luiz Roberto Hernandes, da Fazenda Rio Vermelho.

Segundo ele, a busca por excelência na cria envolve nutrição, manejo, sanidade e genética. Felipe Bortolotto, da Cargill, acrescentou o planejamento de forrageiras e o aumento da lotação como estratégias para elevar a produtividade.

Já Cleiton Luiz Custodio, da Fazenda Nova Piratininga, destacou a busca por precocidade e o uso da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) para melhorar os resultados reprodutivos e tornar o manejo mais eficiente. “Caminhamos para dispensar a estação de monta por somente IATF”, afirmou.

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Painel 5 – Por dentro dos confinamentos de sucesso


A expansão dos confinamentos bovinos amplia as oportunidades para a pecuária brasileira, mas exige gestão e qualificação das equipes. O tema foi discutido no último painel do evento, que teve participação de Adam P. Sammour, Rodrigo Danelon e Vagner Lopes.

Sammour, da RAS Company, destacou a formação contínua de colaboradores e de novas lideranças como um dos principais desafios. Já Danelon, da Real Beef, apontou a oferta de subprodutos das usinas de etanol de milho, como o DDG, como um dos fatores que impulsionaram os investimentos em confinamento.

Na MFG Agropecuária, onde atua Vagner Lopes, o acompanhamento de indicadores é usado para orientar a gestão dos animais. Lopes ressaltou que, além da dieta e do ganho de peso, fatores como ambiência, qualidade da água e sanidade são determinantes.

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